Mudança no Perfil do Crime Organizado
O Estado de São Paulo tem observado uma queda significativa nos crimes contra cargas nos últimos dois anos. No entanto, essa redução não significa o fim da criminalidade, mas sim uma transformação em suas táticas. Quadrilhas estão mais organizadas, planejando roubos e furtos de cargas de maior valor agregado. O Boletim Tracker Fecap, que analisou dados de 2024 a 2026, aponta que, embora o número total de infrações tenha caído 25% entre 2024 e 2025, a natureza dos crimes está se tornando mais complexa.
Estelionato e Furto em Ascensão: Menos Violência, Mais Fraude
A análise revela uma migração de crimes violentos, como o roubo (que caiu 26,4%), para modalidades mais sofisticadas e de menor risco. O estelionato, por exemplo, cresceu 23,8%, indicando um aumento em fraudes documentais, clonagem de empresas e desvio de cargas. No primeiro trimestre de 2026, o furto também ganhou espaço em relação ao roubo, reforçando a tendência de ações menos expostas. A maior participação de interceptações em movimento (30,5%) sugere um planejamento mais apurado, focado em rotas e volumes previsíveis.
Aumento do Prejuízo Médio e Cargas de Alto Valor
Apesar da queda de 25% nas ocorrências, o valor total das cargas roubadas diminuiu apenas 9,1%, passando de R$ 405,1 milhões em 2024 para R$ 368,1 milhões em 2025. Consequentemente, o prejuízo médio por ocorrência aumentou 19,6%, saltando de R$ 89,9 mil para R$ 107,5 mil. Esse cenário aponta para uma estratégia criminosa focada em operações mais seletivas e de maior retorno financeiro, com um aumento significativo na participação de ocorrências acima de R$ 1 milhão.
Alvos Preferenciais: Alimentos, Eletrônicos e Farmacêuticos Lideram
Os alimentos consolidaram-se como o principal alvo, saltando de 27,3% em 2024 para 38,4% em 2026, devido à sua alta liquidez e facilidade de escoamento no mercado informal. Produtos eletroeletrônicos e farmacêuticos também apresentam crescimento, impulsionados pelo alto valor e pela rápida revenda. Medicamentos de alto valor agregado, como os para emagrecimento, são particularmente visados pela facilidade de transporte e alto custo unitário. Cargas como cigarros e bebidas, antes tradicionais, perderam relevância nesse novo panorama. O estudo reforça a necessidade de estratégias de segurança que considerem não apenas o valor, mas também a liquidez e a dinâmica de consumo dos produtos visados.
Fonte: blogdocaminhoneiro.com

