Paraná: Um Hub Logístico Sob Pressão
O Paraná se destaca como um ponto nevrálgico na logística brasileira, impulsionado por um forte agronegócio, indústria e setor portuário. Em 2025, os portos do estado registraram um volume recorde de 73,5 milhões de toneladas movimentadas, com o Pátio Público de Triagem do Porto de Paranaguá recebendo mais de 507 mil caminhões. Nesse cenário de grande escala, a agilidade nas operações de carga, descarga e liberação dos veículos é crucial para a competitividade do transporte rodoviário de cargas. No entanto, o tempo prolongado de espera nessas etapas tem se tornado um gargalo, impactando negativamente a produtividade das transportadoras, a pontualidade das entregas e elevando os custos operacionais.
O Impacto da Espera na Jornada do Caminhoneiro
Embora a legislação estabeleça um limite de cinco horas para as operações de carga e descarga, o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR) considera esse período já prejudicial à produtividade. “Uma jornada útil do motorista tem cerca de oito horas. Isso significa que uma única espera dentro do limite previsto em lei já consome mais da metade do dia produtivo do veículo. Caminhão parado não gera receita, mas continua gerando custos com financiamento, seguro, rastreamento, licenciamento e salário do motorista”, lamenta Silvio Kasnodzei, presidente do SETCEPAR.
Custos Crescentes e a Nova Realidade da Remuneração
A questão financeira das esperas ganhou contornos ainda mais complexos após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Atualmente, o tempo em que o motorista permanece nas dependências do embarcador ou destinatário é considerado parte integrante da jornada de trabalho comum e deve ser remunerado integralmente. Além dos custos com mão de obra, as transportadoras arcam com o consumo de combustível, o desgaste acelerado dos veículos e a perda de oportunidades de novas viagens.
Soluções e a Necessidade de Organização
Para mitigar esses problemas, o SETCEPAR propõe que embarcadores e destinatários priorizem o cumprimento dos horários agendados, ajustem suas estruturas de docas e equipes à demanda e forneçam registros precisos dos tempos de chegada e saída dos caminhões. Segundo Kasnodzei, muitas das soluções necessárias já existem e dependem mais de uma melhor organização do que de grandes investimentos. O agendamento eletrônico com janelas de atendimento claras, o controle rigoroso do tempo de permanência e a integração documental para eliminar conferências manuais são exemplos de medidas que podem agilizar os processos e liberar as docas.
Rumo a um Protocolo de Boas Práticas
A entidade também defende a criação de um protocolo estadual de boas práticas, envolvendo todos os elos da cadeia logística: transportadoras, embarcadores, destinatários e o poder público. A redução do tempo de espera em operações de carga e descarga é vista como um ganho coletivo, capaz de fortalecer a competitividade das empresas e a eficiência geral do transporte rodoviário de cargas no Paraná.
Fonte: blogdocaminhoneiro.com

