Diesel S-10 Dispara e Atinge Maior Preço Desde Abril, Aumentando Pressão no Frete Rodoviário

Alta nos Combustíveis Pressiona Custos do Transporte

O preço do diesel S-10 voltou a registrar uma escalada, atingindo a média de R$ 7,36 por litro nos postos brasileiros entre 4 e 10 de outubro. Este valor representa a maior cotação desde abril e um aumento de 0,14% em relação à semana anterior. Comparado ao final de agosto, quando o litro custava R$ 6,88, a elevação acumulada chega a aproximadamente 7%, evidenciando uma tendência de alta que impacta diretamente o bolso dos caminhoneiros e transportadoras.

Fatores Globais e Dependência de Importação

A instabilidade na oferta internacional de combustíveis e as tensões geopolíticas globais são apontadas como os principais motores dessa variação de preços. O cenário é agravado pela dependência brasileira de importação de diesel, que responde por cerca de 33% do consumo nacional. Apesar de o Ministério de Minas e Energia assegurar o abastecimento para outubro, o mecanismo de subvenção econômica implementado pelo Governo Federal, embora essencial para mitigar os impactos, não elimina completamente a influência das oscilações de custos no mercado interno.

Margens Apertadas e Defasagem no Frete

Para o setor de Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), a alta do diesel chega em um momento delicado, com margens de lucro já pressionadas. Levantamento da NTC&Logística aponta uma defasagem média de 10,5% entre os valores de frete praticados e os custos reais das operações no primeiro semestre de 2026. Nesse período, o combustível sozinho acumulou alta de 17,63% e representou 44,7% dos custos totais considerados na pesquisa.

Desafios na Recomposição de Custos e Contratos

Carlos Panzan, presidente da FETCESP, destaca a dificuldade na recomposição dos valores do frete frente à velocidade com que os custos aumentam. “Uma elevação de quase 7% em poucas semanas interfere diretamente no custo por viagem, no planejamento financeiro e na rentabilidade das operações. O diesel sobe rapidamente, mas a recomposição do frete nem sempre acontece no mesmo ritmo”, lamenta. Além do combustível, as transportadoras arcam com despesas de manutenção, pedágios, mão de obra e seguros. A falta de agilidade na atualização dos contratos, que muitas vezes preveem reajustes em períodos fixos ou novas negociações, obriga as empresas a absorverem parte do aumento, comprometendo a capacidade de investimento em renovação de frota e tecnologia. A federação defende contratos com critérios objetivos, como índices de referência e gatilhos de revisão, para garantir maior previsibilidade e um equilíbrio na relação comercial com os contratantes, assegurando a sustentabilidade e eficiência do setor.

Fonte: blogdocaminhoneiro.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *