Mudança de Paradigma no Transporte Argentino
O cenário do transporte de cargas na Argentina tem passado por uma transformação significativa. Se até poucos anos atrás as composições se limitavam a caminhões de menor porte e os tradicionais “Romeu e Julieta”, desde 2018 o bitrem, com cavalos mecânicos mais potentes, começou a se consolidar como uma alternativa viável e vantajosa.
Vantagens Competitivas do Bitrem
A principal vantagem da adoção do bitrem, que utiliza um cavalo mecânico e dois semirreboques, reside no aumento expressivo da capacidade de carga, que pode chegar a 75% em comparação com as configurações anteriores. Essa eficiência se traduz diretamente na redução do número de viagens necessárias para a movimentação de mercadorias, otimizando tempo e recursos. A tendência, já consolidada no Brasil desde o início dos anos 2000, agora ganha força no país vizinho.
Crescimento e Infraestrutura
O impulso inicial em 2018 deu lugar a um crescimento constante. No final de 2020, mais de 2.000 unidades de bitrem já operavam na Argentina, com mais de 16.000 quilômetros de rodovias designados para o tráfego dessas composições. Corredores logísticos estratégicos como a Rodovia Nacional 9 (Campana-Córdoba), a Rodovia Nacional 14 (Litoral) e a Rodovia Nacional 3 (Patagônia) são exemplos da infraestrutura que tem acompanhado essa evolução.
Legislação e Inovação
A autorização para o uso de composições na faixa de 75 toneladas foi facilitada em agosto de 2025, com a simplificação da Resolução Argentina 1196/2025. As mudanças eliminaram restrições temporais e reduziram exigências administrativas, impulsionando a operação desses veículos. Recentemente, a Volvo realizou testes bem-sucedidos com um bitrem de nove eixos e 75 toneladas na desafiadora Cordilheira dos Andes, demonstrando a capacidade e robustez da tecnologia mesmo em condições adversas.
Impacto Econômico e Setorial
Estudos apontam que o uso de bitrens pode gerar uma redução nos custos logísticos entre 15% e 25%, além de diminuir o consumo de combustível e as emissões de gases por tonelada transportada. Esses benefícios têm levado a expansão do uso em setores cruciais como agricultura, silvicultura, energia e mineração, onde a eficiência logística é um diferencial competitivo fundamental. A frota de transporte pesado argentina refletiu essa tendência, com a participação de caminhões pesados saltando de 25% para 43% entre 2018 e 2021.
Fonte: blogdocaminhoneiro.com

