Para-choques de carretas na Europa falham em proteger vidas em acidentes, alerta Euro NCAP

Falhas em sistemas de segurança e proteções traseiras de carretas na Europa podem ser responsáveis por centenas de mortes anualmente, segundo um estudo abrangente conduzido pelo Euro NCAP e organizações colaboradoras como ADAC (Alemanha), Trafikverket (Suécia) e IIHS (EUA). A pesquisa aponta que os para-choques traseiros dos veículos pesados oferecem proteção inadequada em acidentes de baixa velocidade ou com veículos parados.

A investigação, iniciada no Reino Unido, estima que colisões traseiras, onde um automóvel atinge um caminhão parado ou em baixa velocidade, resultem em até 400 mortes por ano na Europa. O problema é multifacetado, envolvendo tanto a tecnologia de assistência ao motorista (ADAS) dos carros quanto a integridade estrutural das proteções traseiras das carretas.

Cegueira eletrônica: ADAS falha em detectar obstáculos reais

Testes realizados em condições reais de condução expuseram uma vulnerabilidade em sistemas ADAS mais antigos: a incapacidade de detectar carretas paradas. Embora os sistemas equipados com sensores de câmera e radar identifiquem com sucesso alvos padrão em laboratório (Global Vehicle Target – GVT), a taxa de detecção cai significativamente quando confrontados com semirreboques reais, como os do tipo sider ou chassi, e veículos de proteção contra impactos usados em obras rodoviárias. Essa disparidade, agravada pela idade média crescente da frota de veículos, sugere que a maioria dos carros levará mais de 15 anos para ser capaz de evitar essas colisões, reforçando a urgência de melhorias imediatas na proteção física.

Falha estrutural: Para-choques europeus não impedem penetração fatal

Quando a tecnologia de assistência falha, a última linha de defesa é o para-choque da carreta. No entanto, os testes do Euro NCAP revelaram falhas estruturais críticas. Carretas equipadas com o Sistema de Proteção Contra Encaixe Traseiro (RUPS), projetado para evitar o efeito guilhotina, não conseguiram impedir que a estrutura do automóvel penetrasse o chassi do implemento. Em testes de colisão frontal com deslocamento, realizados com carros classificados com 5 estrelas no Euro NCAP, a proteção traseira de reboques fabricados conforme a norma europeia R58.03 (em vigor desde 2022) mostrou pouca resistência. Em um dos cenários, a carroceria do reboque atravessou o compartimento de passageiros, causando ferimentos fatais simulados na cabeça e pescoço do boneco de teste. Em outro teste, a barra de proteção traseira falhou, destruindo o compartimento dos ocupantes e oferecendo proteção nula.

EUA como referência: Norma voluntária mostra eficácia

Em contraste com a Europa, os Estados Unidos já implementam soluções mais eficazes. Testes realizados com reboques que atendem à norma voluntária IIHS TOUGH GUARD demonstraram um resultado muito superior. Nestes casos, a estrutura de segurança do carro conseguiu se deformar de maneira controlada, protegendo os ocupantes conforme projetado. Desde 2017, estima-se que 70% dos reboques mais recentes em circulação nos EUA estejam equipados com dispositivos de proteção traseira com classificação TOUGH GUARD, indicando a viabilidade e eficácia de normas mais rigorosas.

Apelo por atualização e ação proativa

Diante desses resultados alarmantes, o Euro NCAP faz um apelo urgente ao Reino Unido e à União Europeia para que atualizem a norma R58.03, incorporando os padrões da norma voluntária TOUGH GUARD dos EUA. Além disso, a organização incentiva os fabricantes de reboques a implementarem proativamente atualizações voluntárias e soluções de adaptação para frotas existentes. Operadores de frotas de caminhões são encorajados a exigir essas melhorias dos fabricantes, visando substituir os milhares de para-choques inadequados e obsoletos que circulam atualmente nas estradas europeias e britânicas, salvando assim incontáveis vidas.

Fonte: blogdocaminhoneiro.com

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