Pressão regulatória e operacional afeta rentabilidade das empresas de transporte rodoviário.
O setor de transporte rodoviário de cargas no Brasil enfrenta um cenário desafiador, com o valor médio do frete apresentando uma defasagem de 10,1% em relação aos custos operacionais reais. A análise, divulgada pela NTC&Logística com base em dados do DECOPE, aponta que, apesar de um aumento no volume de cargas para cerca de 40% das empresas, a rentabilidade foi significativamente impactada.
Três fatores críticos exigem recomposição imediata dos fretes.
A obrigatoriedade de novos seguros, como RCTR-C, RC-DC e RC-V, imposta pela Lei 14.599/23, transferiu integralmente os custos e a gestão de risco para os transportadores. A prática comum para cobrir essas despesas é a Taxa de Seguro Obrigatório (TSO). Adicionalmente, o fim da leniência no piso mínimo de frete, fiscalizado pela ANTT através do MDF-e/CIOT, encerrou a possibilidade de praticar valores abaixo da tabela oficial, tornando o cumprimento do piso um requisito inegociável na contratação de terceiros (TAC).
Custos sociais e perda de produtividade elevam despesas.
Decisões judiciais relacionadas aos tempos de espera e descanso de motoristas (ADI 5322) diminuíram a disponibilidade da frota, elevando o custo fixo por viagem. A escassez de motoristas qualificados também intensifica a necessidade de investimentos em retenção e benefícios, aumentando os custos com mão de obra.
Defasagem tarifária e inflação corroem a saúde financeira.
A dificuldade histórica em repassar a inflação acumulada do setor tem comprometido a saúde financeira das transportadoras. Em 2025, enquanto o índice de custos de carga lotação (INCTL) subiu 2,81% e o de carga fracionada (INCTF) avançou 5,34%, superando o IPCA de 4,44%, a defasagem média de 10,1% nos fretes indica que os valores praticados não acompanham os custos reais. A evolução de custos de itens essenciais como veículos e mão de obra em médio prazo agrava a situação.
2026: Pressão inflacionária e novos desafios.
O ano de 2026 se inicia sob pressão inflacionária, com a segunda fase da reoneração da folha de pagamento elevando a carga tributária. O custo financeiro, com a Selic em 15,0%, torna oneroso conceder prazos aos clientes, um custo que precisa ser repassado. A NTC&Logística ressalta a importância da aplicação rigorosa do Frete-Valor, GRIS e TSO para cobrir riscos e especificidades operacionais, além da cobrança correta de cubagem, como medidas essenciais para a sustentabilidade do setor e a sobrevivência das empresas.
Fonte: blogdocaminhoneiro.com

